Cirurgia sem cicatriz é possível? Novas tecnologias mostram que sim 18/11/2017




Uma pergunta muito frequente nos consultórios médicos quando se trata de um procedimento cirúrgico é: “doutor, vai ficar cicatriz? ”

 

Para essa pergunta, geralmente a resposta é “sim”, exceto se a incisão cirúrgica não for feita na pele. Na verdade, não existe cirurgia sem cicatriz, ela sempre estará presente mesmo que muito discreta. O que se pode tentar é escondê-la ao máximo através de algumas estratégias cirúrgicas.

O médico cirurgião de cabeça e pescoço e cooperado da Unimed, Dr. Marco Antonio Scirea Tesseroli, salienta que algumas áreas do corpo estão mais expostas na vida diária, como a face, o pescoço e os braços. Por isso, cicatrizes nesses locais podem ser um estigma. A boa notícia, segundo ele, é que uma cirurgia realizada no pescoço para a remoção da glândula tireoide, a tireoidectomia, agora pode ser feita sem deixar qualquer cicatriz aparente.

Trata-se de uma nova técnica chamada “tireoidectomia transoral”, que utiliza instrumentos especiais e uma câmera de vídeo, a qual possibilita que o corte tenha aproximadamente 1cm e não seja feito no pescoço, mas, sim, na porção interna do lábio. “A principal vantagem é a ausência total de cicatriz aparente. O único modo de se observar que o paciente foi submetido à cirurgia é abrindo a boca e evertendo o lábio inferior”, explica.

O médico afirma que a técnica transoral é, atualmente, o método mais moderno para a cirurgia da tireoide com fins estéticos. O especialista passou a realizar o procedimento durante curso no exterior, ao acompanhar o cirurgião que desenvolveu a técnica e é um dos pioneiros a trazer essa inovação cirúrgica ao Brasil.

Ele destaca que, costumeiramente, muitas das inovações médicas surgem em países estrangeiros e que, somente após um longo tempo elas se propagam e chegam às grandes cidades brasileiras. “Mas, desta vez, não estamos atrás de nenhum centro brasileiro, e sim, provavelmente, à frente de muitos! Com relação ao panorama mundial, a primeira cirurgia realizada em Nova Iorque, nos Estados Unidos, ocorreu em novembro de 2016, apenas 7 meses antes da primeira cirurgia realizada em Chapecó”, destaca.

Aqui, a equipe foi formada pelo Dr. Marco Tesseroli; Dr. Mauricio Spagnol, cirurgião com especialização em Videocirurgia e Cirurgia Bariátrica e Dr. Diego Boniatti Rigotti, anestesiologista, que conduziu a anestesia e possibilitou ao paciente um acordar suave e sem dor.

Dr. Marco assinala que, apesar da boa notícia, é importante ressaltar que essa técnica não substitui a técnica tradicional. A cirurgia transoral tem indicações muito precisas e não são todos os pacientes que podem receber esse tratamento. “Casos confirmados de neoplasia maligna ou nódulos muito grandes devem ser tratados com incisão cutânea. Para esses pacientes pode existir a possibilidade da cirurgia minimamente invasiva, que consiste em um pequeno corte que variam de 1.5cm a 3.0cm, na porção anterior do pescoço. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo médico responsável”, conclui.

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