Crianças que mentem: como lidar? 18/11/2017




Primeiramente, é importante diferenciar a mentira da fantasia

 

A fantasia é aquela em que a criança não tem plena consciência de que aquilo não é real, enquanto a mentira é intencional para se livrar de uma bronca ou castigo, ou então para conseguir algo que deseja.

O comportamento de mentir geralmente começa a ser observado a partir dos 2 anos de idade. Mesmo que esse comportamento ainda não seja verbal, a criança pode mentir com gestos, expressões faciais, apontando pessoas ou escondendo objetos. Esse comportamento é aprendido e mantido quando a criança consegue obter algum tipo de ganho que seja favorável a ela, ou seja, ela aprende a mentir para se beneficiar ou evitar algo que não goste.

As crianças também aprendem a mentir ou a omitir através de instruções dos adultos, quando os mesmos fazem com que a criança expresse-se de modo diferente daquilo que sabe ou sente. Um exemplo disso seria “se você contar a seu tio que não gostou do seu presente de aniversário ele ficará muito triste” ou quando a criança é solicitada a não contar o que sabe. Esses tipos de mentira são socialmente aceitas. Além disso, também é comum que as crianças aprendam a mentir por imitação caso tenham em sua família pais ou irmãos que possuem esse hábito, ou ainda outras pessoas conhecidas como colegas da escola.

Por volta dos 4 anos, a criança já consegue diferenciar a mentira mais leve e socialmente aceita, da mentira que pode prejudicar outras pessoas. Aos 6 anos de idade a criança já consegue entender explicações e consequências, então é preciso explicar a ela o motivo desse comportamento ser errado, e como esse comportamento afeta aos outros.

O que fazer quando meu filho (a) mente?

Mentir exige da criança diversas funções cognitivas complexas, como por exemplo a manipulação das informações e a linguagem. Sendo assim, não há motivos para grandes preocupações quando crianças pequenas começam a contar pequenas mentiras, pois isso demonstra um bom desenvolvimento dessas funções. Contudo, quando o comportamento de mentir se torna frequente a ponto de trazer prejuízos e envolver outras pessoas, é importante que os pais se preocupem quanto a isso e buscar ajuda profissional. Procurar um psicólogo nesse momento pode ser uma ajuda válida.

Algumas dicas de como agir frente a mentira:

- Se tiver dúvida sobre algum relato da criança, não insista. Peça a ela que conte a história novamente mais tarde.

- Não faça perguntas específicas como “te bateram na escola?”. Procure fazer perguntas mais amplas como “o que aconteceu na escola?”, pois muitas vezes as crianças podem criar situações e atribuir significados diferentes a algumas questões.

- Broncas e castigos podem fazer com que a criança passe a mentir por medo.

-  Valorize quando a verdade for dita.

-  Quando a criança passa a mentir frequentemente sobre algum assunto, isso pode ser sinal de ansiedade, angústia e medo com relação a uma situação específica. Fique atento e procure descobrir se a criança está sofrendo com alguma situação.

-  Procure reforçar que a verdade é a única forma de estabelecer confiança e segurança nos outros.

- Tome cuidado com rótulos, evitando que seu filho seja rotulado como “mentiroso”. Isso pode ser prejudicial a autoestima da criança, e fazer com que ela minta ainda mais.

- Caso as mentiras continuem frequentes dos 7 anos de idade em diante, procure ajuda profissional.

 

 

Karina Remísio de Oliveira

Psicóloga CRP 12/15570

E-mail: karina.remisio@gmail.com

 

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