Cama compartilhada: mitos e verdades 18/11/2017




Devo ou não deixar meu filho dormir na minha cama ou no mesmo quarto?

 

Muitos pais passam a maior parte do dia trabalhando para dar à sua família uma vida mais tranquila financeiramente, e por isso, o pouco tempo que permanecem em casa querem ficar o máximo possível com os filhos, inclusive na hora de dormir.

O problema é que o quarto do casal é um local de intimidade. Por mais que o casal não tenha relações sexuais enquanto o filho está no quarto, o ambiente já se encontra carregado de uma certa energia íntima devido a outros momentos em que o casal está junto. E sabem de uma coisa? A criança capta essa energia. É um mito acreditar que o filho não vai perceber pois está dormindo, visto que o cérebro dele “não se desliga”, captando estímulos externos.

Outra questão relevante é que ao não levar o pequeno para o próprio quarto, a criança acaba por se tornar dependente. Claro que cada caso é um caso, porém se a criança não tem independência na hora de dormir, terá quando?

Aí é válido ponderar algumas reflexões: Seu filho depende tanto assim de você, ou você dele a ponto de não o deixar dormir em um cômodo separado? Indo além, existe algum motivo para que você precise que seu filho permaneça em sua cama ou em seu quarto?

O ideal é que a criança a partir dos 12 meses tenha seu próprio quarto, sendo essa uma das questões fundamentais para seu desenvolvimento emocional, cognitivo e social. É natural que a criança precise sentir a presença física do adulto para se sentir segura e poder adormecer, e como nessa idade a criança já começa a falar e compreender ideias simples, é importante conversar para explicar as mudanças que irão ocorrer com ela.

O problema aparece quando a criança chora, chegando a levantar-se para ir até a cama dos pais, momento onde muitos pais acabam cedendo por sentirem-se pressionados e esse ceder quando não em casos especiais (criança doente, etc) acaba por prejudicar o desenvolvimento da criança. A solução não é ignorar o choro, mas sim ir até o quarto e conversar sobre o que está lhe assustando e abraçá-lo para que se sinta protegido.

Mas afinal, o que fazer para que a criança durma sozinha?

É importante que tomada a decisão, os pais procurem manter-se firmes, uma vez que caso a criança note alguma insegurança poderá utilizar da mesma para favorecer-se. Além disso, tornar o quarto atrativo para seu filho é um meio de fazer com que ele se sinta cômodo e queira passar mais tempo no local. Dica: decore as paredes com os desenhos animados preferidos e coloque muitos brinquedos no quarto.

Se a criança levantar durante a noite, mantenha-se firme e leve-a novamente para a cama. Se for para sua cama sem que você perceba, você pode utilizar alguns truques como colocar algo na porta que faça barulho no momento em que for aberta, ou almofadas na cama como obstáculos entre você e a criança. É interessante dar a seu filho uma recompensa quando ele dormir em sua própria cama, que pode ser um abraço ou elogio.

É importante ainda estabelecer uma rotina do sono, na qual as últimas horas antes de ir para cama devem ser calmas e sossegadas. Um exemplo de uma boa rotina do sono é o banho, jantar, deitar ainda acordado, ler uma história para dormir, dar um beijo de boa noite e apagar a luz. Converse com seu filho sobre a importância de dormir bem para começar o dia cheio de energias para brincar e aprender.

Se nada disso funcionar e a criança se mostrar com muita dificuldade em dormir sozinha, é importante procurar ajuda profissional. Aprender a dormir sozinho exige treino, paciência e perseverança tanto dos pais quanto da criança.

 

 

Karina Remísio de Oliveira

Psicóloga CRP 12/15570

E-mail: karina.remisio@gmail.com

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