Artigo: Entre pai e mãe 18/01/2017




Patrícia Asinelli Silveira,  Psicóloga

CRP 12/12784

 

Uma separação sempre é seguida pelo sofrimento ou dor emocional. E quando trata-se da separação dos pais, este sofrimento pode ser ainda maior quando um, ou ambos, genitores, passam a violentar psicologicamente esta criança ou adolescente, o que pode resultar em consequências extremas, como o suicídio.

Mas, você sabe o que é alienação parental? Esta ação ocorre quando um dos genitores (pai ou mãe) aliena a criança ou adolescente para que esta odeie o outro genitor ou guardião da criança ou adolescente, causando interferência na formação psicológica. Essa alienação não é só função dos genitores (pais), pode também ser executada por avós da criança, ou seja, aqueles que tomam conta da criança ou adolescente.

Por ser uma violência com consequências muito graves à vida do menor, a alienação parental é considerada crime desde o ano de 2010, pela Lei número 12.318.

Segundo Bert Hellinger (criador das Constelações Familiares) afirma: “Filhos não devem se meter nos assuntos dos pais. Não compete às crianças salvarem os seus pais, não compete aos filhos saberem dos segredos dos pais e nem compete a eles se vingar das injustiças cometidas contra os pais. Também não compete a eles expiar a culpa dos pais. Sempre quando alguém tenta fazê-lo, fracassa, sem sucesso.”

A criança que fica exposta por longos períodos, tende a repetir o discurso efetuado pelo difamador, reafirmando falas do genitor/guardião, mesmo que não tenha presenciado as situações apresentadas pelo difamador. Isso pode levar a criança/adolescente a Síndrome de Alienação Parental (SAP), e esta pode apresentar diversos sintomas psicológicos como: isolamento social, sentimento de culpa, estados de confusão mental, desatenção, dificuldade de organização e, por consequência, queda no desempenho escolar, comportamentos descontextualizados na escola e em casos mais extremos pode levar até ao suicídio.

Não é por acaso, que o adolescente que sofre alienação parental ocupa o ranking de suicídio, quando, este, ao longo do tempo, não volta-se contra aquele genitor ou cuidador responsável pela alienação.  Daí a importância da pergunta :”Em algum momento você praticou alienação com seu filho (a)?”

Os genitores/guardião que submetem a criança à alienação parental cometem um tipo de violência psicológica que pode não deixar marcas muito claras num primeiro momento, o que pode postergar e dificultar sua identificação e possíveis intervenções. Esse tipo de violação pode proporcionar ao filho, quando adulto, uma dificuldade em estabelecer vínculos afetivos de confiança, comprometendo assim o seu desenvolvimento social e confusão mental, por ter que lidar com falsas memórias que um dos genitores/guardião possivelmente lhe sugeriu.

 

 

 

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